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Web Dica Escola Katanka: Uso do trapézio!!

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No Windsurf, algumas perguntas são respondidas de maneiras diferentes, às vezes até divergentes e muitas dessas vezes estando todas as respostas corretas. Um destes assuntos que envolvem o gosto ou o costume pessoal é o uso do trapézio. Existem vários textos até contraditórios nas publicações em relação a modelos de trapézios ou posição e tamanho do kit-trapézio.

Por isso achei melhor colocar este tema, sugerido por um velejador de Salvador, na coluna "Web Dica Escola Katanka" e não encaminhar as perguntas para algum team rider para publicar no "Team Responde".

O trapézio tem duas funções bastante importantes no windsurf. A primeira, mais evidente, é possibilitar ao velejador lançar mão de velas maiores em ventos mais fortes e velejar por mais tempo sem precisar parar para descansar. A segunda função é tão necessária quanto a primeira e diz respeito a equilibrar todas as forças que atuam no complexo conjunto formado pelo velejador e seu equipamento.

Descrever, mensurar e estudar essas forças são coisas pra quem gosta mesmo. Jim Drake escreveu coisas muito interessantes sobre isso e é fácil encontrar os textos dele na internet. Tinham vários no site da Starboard, não sei se tem mais. A coisa é tão complexa, que é melhor deixar tudo equilibradinho para não ter que achar a explicação. Felizmente podemos fazer isso tudo de uma maneira bem prática, mas o desenvolvimento dos equipamentos passa profundamente pela teoria para depois ser aprovado na prática. Deixa essa parte com Jim Drake, Tiesda You, Ben Severne e outras cabeças pensantes que fazem nosso esporte cada vez mais fácil e interessante.

Na prática da prática o que eu sinto é que quanto mais força eu faço, pior é o meu rendimento na água. Os designers de velas batalham a vida toda para manter o centro de pressão o mais constante possível. Isso deixa o rig leve na mão, estabiliza o perfil da vela e torna a velejada bem mais previsível e fácil. A prancha moderna também mantém o centro de resistência lateral o mais constante possível. Robby Naish já dizia naqueles vídeos antigos, do início dos anos 90, que, em um certo nível de performance, controle se torna a arma mais eficiente para se ter velocidade.

Então, é nosso dever, velejadores, respeitar todo o trabalho que foi sendo feito ao longo dos 40 anos no desenvolvimento dos equipamentos e equilibrar também nosso centro de gravidade. Velejar "no braço" com o quadril sambando pra frente e pra trás, para um lado e para o outro de acordo com a vontade das marolas ou das rajadas é simplesmente deixar de fazer a única coisa que não depende de Jims e Bens e tais (pra quem conhece a música do Caetano, "aqueles que velam pela alegria do mundo")!

O trapézio, quando bem utilizado, vai ser a ferramenta para equilibrarmos todas as forças para velejar sem fazer força!

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Guilherme Ortega velejando descontraído com uma vela 11.6 em Brasília

Algumas teorias sobre onde colocar o kit-trapézio para equilibrar a vela periodicamente são publicadas em revistas. Uma, por exemplo, manda traçar uma linha imaginária entre o pé de mastro e o top da vela. Onde cruzar com a retranca vai ser o local para colocar a parte da frente do kit. Na minha vela já não bate muito bem isso, meu kit fica pelo menos 1 palmo mais pra trás tendo como referência a Overdrive 11.0. A teoria que eu acho mais correta é a que diz simplesmente que o kit trapézio deve estar justamente alinhado com o centro de pressão da vela, sem inventar muita referência...achou o centro de pressão, coloca uma banda do kit pra cá e outra pra lá e pronto.

Em velas modernas, armadas corretamente no mastro especificado, o centro de pressão praticamente não muda. Em velas race modernas, então, o CP é travado! Por isso sou radicalmente contra oferecer velas race para velejadores intermediários. A vela é tão boa que o velejador menos experiente tende a não sentir essas variações e inclusive velejar com regulagem errada ou com postura errada mesmo. Esse velejador vai render mais em uma vela mais simples. Quando a Overdrive foi lançada, o texto dizia assim: a vela vai ser mais rápida que a Code Red para 75% dos velejadores. Hoje, quase 5 anos depois, eu acho até que nos tamanhos usados em pranchas de Formula, isso é verdade para 85% ou mais dos casos. Uma vela "menos estável" vai fazer o velejador saber se equilibrar e regular melhor seu equipamento. Quando isso acontecer ele vai ter mais controle e aí a frase do Robby Naish se atualiza de novo.

Todas as vezes que eu sinto que a prancha está rendendo eu estou totalmente equilibrado e velejando solto, sem fazer força, principalmente com os braços. Às vezes algumas tensões (vento muito forte, marolas muito agressivas, peguinha muito intenso...) no velejo tendem a se transferir para o corpo do velejador. E aí é aquela coisa, perde rendimento porque ficou tenso e fica mais tenso ainda porque perde o rendimento. Você sabe que tá fazendo besteira, então pára, pensa e dá um jeito de relaxar (equilibrar) o velejo.

Uma musiquinha é bom pra descontrair não é? Experimenta então, quando estiver velejando como o Hulk, esmagando a retranca com as mãos, pensar em uma música legal pra relaxar e, mais que isso, imagina que sua retranca é um piano e toca essa música nela!!! Ou você se equilibra no trapézio ou o "som tirado na retranca" vai ser o som tocado pelo Hulk...imagina!