Web Dica Escola Katanka: Jibe mais redondo
Prancha: todas / Nível: avançado
Vamos partir do seguinte princípio: tendo controle, quanto mais velocidade, melhor para executar um jibe perfeito. Isso faz bastante sentido se levarmos em conta que a partir do momento que entramos no jibe a velocidade vai caindo até termos potência de novo na vela para acelerar novamente.
Assim a primeira coisa que deve ser focada no jibe é iniciar a manobra com o máximo de velocidade possível sem perda de controle.
No momento que você entrou no jibe a contagem regressiva começou. São poucos segundos para executar a manobra toda antes de perder a velocidade mínima para deixar a prancha planando. Se a prancha não estiver planando, não tem como cavar, certo? Então a manobra sai capenga. A partir do momento que começou o jibe, não tem como acelearar mais, o máximo que podemos fazer é tentar perder o mínimo possível de velocidade.
A coisa mais óbvia é entrar no jibe com velocidade máxima e a segunda coisa mais óbvia é não fazer nada que aumente a perda de velocidade durante a manobra.
Obter o máximo de velocidade possível na prancha é assunto para outra web dica. Precisa boa técnica, equipamento bem ajustado e sensibilidade. Supondo que estamos com a prancha voando baixo, precisamos agora focar na preparação para o jibe.
Antes mesmo de entrar no jibe já é possível rolar uma perda de velocidade na preparação. Se estiver velejando de través, tente, na certeza que você ainda tem "peito" pra ligar o turbo sem perder o controle, arribar um pouco antes de desengatar o trapézio. Você não vai apenas ganhar um pouco mais de velocidade, mas também vai diminuir o tempo de manobra, pois vai ganhar 15 a 30 graus na curva de 180 (través para través).
Perder tempo na manobra é perder velocidade e é isso que queremos evitar. O tempo gasto entre arribar, desengatar, tirar o pé de trás da alça e cavar não pode passar de 1-2 segundos. Imagine que em 6-7 segundos você sai da velocidade máxima pra velocidade de "boiação", isso com vento bom, na merreca esse tempo é mais curto ainda. Então não há tempo a perder. Claro, fazer toda essa preparação no menor tempo possível requer muito treinamento, pois qualquer ação brusca na prancha vai acarretar em uma reação também brusca e fatalmente haverá perda de velocidade ou controle.
Um erro comum é deixar a vela abrir quando se desengata o trapézio. Temos que manter a vela caçada para não perder velocidade!
Beleza, entramos no jibe com velocidade máxima e de forma suave e fluida. Contagem regressiva agora para executar de forma exata a seqüência de abrir a pegada, cavar a prancha, inverter a base, continuar cavando a prancha, passar a vela e continuar no novo bordo.
Cortamos o motor da prancha assim que iniciamos a cavada. Como fazer para manter a velocidade por mais tempo ou para perder menos velocidade na "banguela"? O surfista de longboard ou SUP quando começa a perder velocidade anda pro bico da prancha não é? O esquiador aquático quando solta o cabo da lancha também inclina seu corpo para frente para ganhar metros fundamentais para evitar uma natação até o raso. Na prancha de wind é a mesma coisa. Pra perder menos velocidade quando "tiramos" a vela, temos que manter o peso mais para a parte da frente e pra dentro da curva.
A dica pra fazer isso durante a cavada? Dobrar os joelhos e estender o braço da frente. Faz mais ou menos assim, procure, durante a cavada olhar por baixo da retranca. Isso deixa a prancha colada na água e a cavada constante e fluida durante a manobra. Uma prancha quicando no jibe, além de deixar a manobra horrorosa, naturalmente faz com que a pressão não seja mais feita pela ponta dos pés, levantando o bico da prancha e, claro, freiando.

André Pedroza iniciando a entrada para o jibe
A mudança de base também é fundamental. Principalmente em pranchas de Formula, muito largas, a mudança da base nas pernas deve ser feita com muito capricho para não alterar o percurso da prancha durante a manobra. Começou cavando com a ponta dos pés, inverteu a base e concluiu a manobra usando um pouco de pressão no calcanhar. Tenha sempre na cabeça que a curva deve ser constante e suave e o que faz a prancha girar é a cavada da prancha na água. Dessa forma, enquanto a prancha não acabar o giro, não tem porque voltar o "volante" para fazer ela andar reto, deu pra pegar?
Em jibes mais avançados, feitos com muita velocidade, cavada mais agressiva e um tempo de manobra perfeito, o lado de sotavento da retranca vai praticamente para dentro d’água, gerando o famoso movimento do giroscópio (bons tempos de UnB). É o princípio do lay down jibe que permite uma curva mais fechada (menos tempo de manobra) e praticamente sem perda de velocidade. Esse é assunto pra uma próxima conversa

Marcello Morrone na lagoa do Portinho - PI. A escolha do dia e local para aperfeiçoar o jibe é fundamental









