Sintonia fina da Severne Overdrive
Sem dúvida nenhuma a maior qualidade da classe Formula Experience é poder usar um equipamento que de fato funciona muito bem e é competitivo num preço bem mais acessível que o material usado na Formula Windsurfing.
Com o desenvolvimento da proposta da FOD (Formula One Design) muita coisa foi testada e um legado importante foi deixado de bandeja para a classe FE, uma vez que o rig da FOD era praticamente o mesmo rig usado na Formula Experience.
A maior de todas as inovações foi a retranca de alumínio super-rígida que sairá no mercado com a marca Severne. Outra herança importante foi o sistema de extensão e pé de mastro, também atualmente no mercado com o rótulo da Severne.
Outro desafio da FOD que foi satisfatoriamente resolvido foi a questão de se utilizar uma vela só para cobrir todo o range de vento previsto na classe. A vela Severne Overdrive 11.0 já é conhecida por funcionar de forma até surpreendente no vento mínimo, comparando o rendimento com velas 12.0, e também por continuar velejável nos ventos mais fortes.
Mas alguns testes mostraram que a utilização de um tip (extensão) na ponta do mastro pode aumentar dramaticamente o controle em ventos mais fortes sem comprometer a eficiência no vento fraco.
Na semana passada foi testada uma Severne Overdrive 11.0 com essa configuração no Clube Katanka, em Brasília e as impressões gerais estão descritas a seguir (texto: Marcello Morrone):
"Testei a vela FOD em junho na Tailândia com o tip em ventos de 20 nós. De fato, apesar de destreinado, velejei tranquilamente com a 11.0 e a 162, mas estava tão impressionado com a nova retranca de alumínio que nada mais chamava a atenção. Além disso, enquanto eu velejava de FOD, a Starboard deixava na praia à disposição para testes pranchinhas como a Kode, Futura e iSonic e acabei passando a maior parte da tarde velejando nas pranchinhas menores.
Como passamos o ano todo velejando de FE aqui em Brasília, resolvi testar a configuração da FOD na Overdrive 11.0 convencional, lembrando que o uso do tip é permitido pelas regras da classe Formula Experience.
1- Montagem e regulagem:
Por coincidência eu ainda tinha aqui em Brasília um tip da Code Red R2 e após um trabalho com a lixa ele encaixou no top do mastro Blue Line 540. Claro, sem esquecer que a FE é uma classe que visa tornar o wind de competição mais acessível, é preciso deixar claro que a intenção do tip não é ter um item a mais de equipamento para comprar, muito pelo contrário, isso pode, por exemplo, permitir o uso de um mastro 520 mai barato ou mesmo mais antigo com uma vela 11.0. Sem contar que se o range da vela aumentar, será necessário ter apenas 1 vela para competir na classe.
Uma opção interessante é simplesmente adaptar um tip de uma parte de cima de algum mastro. Não é difícil encontrar alguém que tenha um top de mastro de Formula que sobrou quando a sua base quebrou.
A vela da FOD usava um tip de 20 cm. O que eu usei na Overdrive aqui em Brasília tem 30 cm.
A Overdrive 11.0 pede 570 cm de luff e eu montei aqui com apenas 2cm de extensão embaixo. Aparentemente a vela ficou um pouco mais fácil de caçar com o tip.
A vela com o tip é a amarela. Nitidamente podemos perceber que a vela ficou mais bolsuda embaixo, enquanto que a valuma ficou com o mesmo aspecto da vela azul, montada apenas com o mastro Blue Line 540 e a extensão de pé de mastro.
2- Teste na água:
Entrei na água com um vento de uns 15 nós que depois de um contravento e um popa caiu para 8. Já a primeira impressão, logo após engatar o trapézio é de uma vela mais 'automática'. Em cada rajada ou marola a sensação é que a vela reage melhor e o velejador pode se concentrar mais no percurso, nas rondadas e na tocada da prancha.
Em termos de ângulo e velocidade, aparentemente não houve tanta variação comparando com a vela sem o tip, mas o controle certamente ficou melhor e isso pode se traduzir em mais chance de conseguir bons ângulos e mais velocidade durante momentos mais críticos da regata.
Para o velejo freeride é, sem dúvida, uma opção a ser considerada por todos, pois a vela fica bem confortável.
Não senti perda de potência quando o vento ficou mais fraco, muito pelo contrário, a vela com mais shape dá inclusive mais confiança para se velejar no vento mínimo. Na teoria, a vela fica de fato mais 'soft' e, com isso, mais potente.
Hoje estou pesando 82.5 kg e estou bem inclinado a usar esta configuração no Mundial de FE, em Lima, no reveillon.
Acho que cada velejador tem que testar as diversas configurações dentro da regra para ver como conseguir mais rendimento do seu equipamento. Isso irá trazer ainda um tempero a mais para a classe Formula Experience sem acrescentar em nada o custo do material!" Marcello Morrone, BRA-3











